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Bordados dos Açores
Pelo seu valor intrínseco, pela sua carga emocional, a produção artesanal tem e terá no futuro o carinho e o apreço do Governo Regional nesta aposta colectiva de apoiar as produções locais com denominação de origem, na medida em que poderão constituir um forte alicerce para o desenvolvimento local, para a animação da actividade turística e para a promoção socioeconómica da Região Autónoma dos Açores.

A singularidade e riqueza do Bordado dos Açores, desde o século XVI
associado à indústria local do linho, constitui motivo para a sua divulgação sistemática e consequente promoção, visto que se trata de um produto certificado ao abrigo da marca “Artesanato dos Açores”, desde 1998, nas suas variantes genuí-nas e vulgarmente designadas por Bordado a Palha, da Ilha do Faial, Bordado a Matiz, da Ilha de São Miguel e Bordado a Branco, da Ilha Terceira.
O reconhecido valor dos bordados dos Açores e o consequente volume de produção permitem manter pequenas indústrias que actualmente existem nas ilhas de S. Miguel e da Terceira com recurso ao trabalho domiciliário das
bordadeiras. Aqui ainda se utilizam os processos tradicionais do bordado
sobre linho ou algodão – estampagem, bordado, recorte quando aplicável e engomagem – em que predominam os motivos vegetalistas e figurativos.
O bordado a matiz remonta à década de 1930 e marca a sua origem pelos tons de azul que o caracterizam, bem como pelos motivos florais frescos
e campestres. São trevos, cravinhos, florinhas, avencas, pequenos ramos e algumas aves, que de certa forma recriam a ornamentação da faiança oriental.
Os pontos empregues são o matiz como ponto principal, e como pontos acessórios surgem o ponto pé de flor e o de recorte, em curvas baixas, viradas para o interior.
O bordado branco da ilha Terceira é conhecido pela combinação de pontos empregues, revelando por isso o cruzamento de várias influências do século XIX. O ponto principal é o richelieu, sendo também empregues outros pontos muito característicos deste bordado como os ilhós, cheio e caseados. Sendo um bordado genuinamente branco ou cru, a sua textura adquire maior
importância e os temas vegetalistas e figurativos são mais clássicos e eruditos.
O bordado a palha de trigo sobre tule negro, característico da ilha do Faial, é curioso e invulgar não tanto pela escolha do tecido, cuja origem remonta às primeiras indústrias europeias do século XVIII, mas pelo emprego de um fio vegetal – palha de trigo. O elemento decorativo predominante neste tipo
de bordado é a espiga de trigo, embora outros elementos vegetalistas e até figurativos façam parte dos desenhos escolhidos pelas bordadeiras faialenses.
Resulta na produção de peças de grande requinte ligadas à moda feminina, como por exemplo vestidos de cerimónia, véus, mantilhas e bolsas.

 

Alexandra Andrade
Directora do Centro Regional de Apoio ao Artesanato

#4
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Impressa
Preço € 4.90
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